Mostrar mensagens com a etiqueta Cesare Pavese. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cesare Pavese. Mostrar todas as mensagens
domingo, 19 de junho de 2011
Simpaticamente duros
Estávamos nobremente desinteressados, cordialmente arrogantes, gentis e sorridentes, simpaticamente duros.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
18 de Agosto.
A coisa mais secretamente temida acaba sempre por acontecer.
Escrevo: ó Tu, tem piedade. E depois?
Basta um pouco de coragem.
Quanto mais a dor é determinada e exacta, tanto mais o instinto de vida se revolta e a ideia de suicídio tomba.
Quando em tal pensava, parecia fácil fazê-lo. No entanto, há pobres mulheres que o fizeram. O que se requer é humildade, não orgulho.
Tudo isto é asqueroso.
Palavras, não. Um gesto. Não escreverei mais.
Cancro secreto
Espantas-te de que os outros passem a teu lado e não saibam, quando tu próprio passas ao lado de tanta gente sem saber: Não te interessa saber qual o pesar de cada um, o seu cancro secreto?
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
8 de Maio.
A candência do sofrimento começou. Ao fim da tarde, ao cair da noite, o coração aperta-se-me até chegar a escuridão total.
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
sábado, 11 de junho de 2011
Pavese sobre a arte moderna
12 de Fevereiro.
26 de Fevereiro.
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
A arte moderna é - na medida em que vale qualquer coisa - um regresso à infância. O seu tema eterno é a descoberta das coisas, descoberta que apenas pode acontecer, na sua forma mais pura, na recordação da infância. Isto é o efeito da all-pervading consciência do artista moderno (historicismo, noção da arte como actividade auto-suficiente, individualismo), que o faz viver, a partir dos dezasseis anos, num estado de tensão - quer dizer, num estado que não é próprio à absorção, que não é ingénuo. Em arte, só se exprime bem aquilo que foi absorvido ingenuamente. Só resta os artistas fazerem meia-volta e inspirarem-se na época em que ainda eram artistas, ou seja, a infância.
26 de Fevereiro.
A grande arte moderna é sempre irónica, tal como a antiga era religiosa. Assim como o sentimento do sagrado radicava as imagens para além do mundo da realidade, dando-lhes um fundo e antecedentes prenhes de significado, a ironia descobre nas imagens e sob elas um vasto campo de jogo intelectual, uma vibrante atmosfera de hábitos imagísticos e raciocinantes, que transformam as coisas representadas em símbolo de uma realidade mais significativa. Para ironizar não é necessário brincar (assim como para sagrar não é necessário recorrer à liturgia), basta construir as imagens segundo uma norma que as supere ou domine.
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
Leitura de Rosseau
«...custa-me imaginar os sentimentos desagradáveis» (vol. II, p. 93)
«As pessoas pensavam que eu podia escrever por ofício como todos os outros homens de letras, ao passo que só soube escrever movido pela paixão» (vol. II, p. 285)
«As pessoas pensavam que eu podia escrever por ofício como todos os outros homens de letras, ao passo que só soube escrever movido pela paixão» (vol. II, p. 285)
Objectividade
Quando uma mulher casa, pertence a outro; e quando pertence a outro, nada mais há a dizer-lhe.
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
Realidade-personagem
Inverno 41 - 42
Nunca estamos completamente sós no mundo. Na pior das hipóteses, tem-se sempre a companhia de um rapaz, de um adolescente e, pouco a pouco, de um homem feito - daquele que fomos.
Não é que, no nosso tempo, o representante da cultura seja menos escutado do que no passado o eram o teólogo, o artista, o sábio, o filósofo, etc. É que, actualmente, tem-se consciência da massa que vive de mera propaganda. Também no passado, as massas viviam de má propaganda, mas, então, sendo a cultura elementar menos difundida, essa massa não imitava as pessoas verdadeiramente cultas e, portanto, não fazia surgir o problema de saber se estava mais ou menos em concorrência com essas pessoas cultas.
Os ambientes não devem ser descritos, mas vividos através dos sentidos da personagem - e, por conseguinte, do seu pensamento e do seu falar.
O que te desagrada como impressionismo, torna-se, assim - bedingt a partir da personagem -, vida em acção. Eis a norma que, no fundo, já procuravas no Ofício de Poeta. Que outra coisa é a narrativa do contar de Andersen, o monólogo interior de Joyce, etc., senão fazer com que a realidade-personagem se sobreponha à objectividade?
Quando uma mulher casa, pertence a outro; e quando pertence a outro, nada mais há a dizer-lhe.
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
#3
2 de Outubro.
Porque é que o realismo naturalístico-psicológico não te basta? Porque é demasiadamente pobre.
Não se trata de descobrir uma nova existência psicológica, mas de multiplicar os pontos de vista que revelarão, na realidade normal, uma grande riqueza. É um problema de construção (regressamos ao 16 de Novembro de 35!!)
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver)
segunda-feira, 30 de maio de 2011
#1
Uma das leis cósmicas da vida é a seguinte: é amado não quem dá, mas quem exige. Quer dizer, é amado aquele que não ama, porque quem ama dá. E compreende-se: dar é um prazer mais inesquecível do que receber; a pessoa a quem damos, torna-se-nos necessária, quer dizer que a amamos.
Dar é uma paixão, quase um vício. A pessoa a quem damos, torna-se-nos necessária.
(Cesare Pavese, Ofício de Viver)
#2
20 de Março.
Mon coeur reste encore à toi. Frase de condescendência de superior para inferior. Porque me alegro tanto? Sou eu, é claro, o beneficiário. Echomai ouch echo. Como possuir sem ser possuído? Tudo depende disso.
Da conversa desta tarde (com Pollone) resulta claramente que "estou seduzido" porque me comprazo em desempenhar o papel interessante de homem seduzido. Devo desempenhar, impassível, o de senhor. Serei mais amado ainda. Só assim serei amado. Mas terei ainda prazer nisso? Todas as vezes que fui eu quem possuiu, não senti prazer. Velha história.
É preciso ser possuído sem o mostrar. Será possível fazê-lo com uma "compreensão sábia e resignada"?
Subscrever:
Mensagens (Atom)