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domingo, 3 de julho de 2011

Dear Marguerite



She was elegantly dressed in black and white and spoke an exquisite French, with a markedly patrician accent, in a deep, mellifluous tone.

domingo, 19 de junho de 2011

La Passion de Jeanne d'Arc


«O mais curioso é, talvez, que muitas das crises emocionais da infância ou da adolescência de Mishima têm origem numa dessas imagens de livros ou de filmes ocidentais a que foi exposto o jovem japonês nascido em Tóquio em 1925. O rapazinho que repudiou uma bela imagem do seu livro ilustrado, porque a criada lhe explicou que se tratava, não de um cavaleiro como ele pensava, mas de uma mulher chamada Joana d'Arc e sentiu esse engano como um logro que o ofendia na sua pueril masculinidade. E, neste caso, o mais interessante para nós é que tenha sido Joana d'Arc quem lhe inspirou esta reacção e não uma das numerosas heroínas do Kabuki disfarçadas de homem. Em contrapartida, na famosa cena da primeira ejaculação diante de uma fotografia de São Sebastião de Guido Reni, compreende-se tanto melhor a sua excitação pela pintura barroca italiana quanto a arte japonesa, nem sequer nas suas gravuras eróticas conheceu, como a nossa, a glorificação do nu. Nenhuma imagem de samurai oferecido à morte lhe poderia dar a mesma impressão desse corpo musculado mas exausto, prostrado no abandono quase voluptuoso da morte (os heróis do antigo Japão amavam e morriam envoltos na carapaça de seda e aço).»


(Marguerite Yourcenar, Mishima ou a visão do vazio, surripiado d'O café dos loucos)

Não se esquecem as lágrimas de Maria Falconetti. E é-me impossível não lembrar Mishima. E, agora, junta-se-lhes Marguerite Yourcenar.

Isto para concluir que o dia foi um caos, que estou cansada e que não me apetece dormir. E acho que é desnecessário referir que as imagens são do La Passion de Jeanne d'Arc, que por sua vez foi realizado por Carl Theodor Dreyer e que data de 1928.

Desnecessário, como havia dito.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

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Minha amiga, viver é difícil. Já construí teorias morais de sobra para construir mais ainda, e contraditórias: sou demasiado sensato para acreditar que a felicidade apenas se encontra à beira de um erro, e o vício, tal como a virtude, não pode dar a alegria aos que a não têm em si mesmos. Simplesmente, ainda prefiro o erro (se de erro se trata) a uma denegação de nós próprios tão próxima da demência. A vida fez de mim aquilo que sou, prisioneiro (se quisermos) de instintos que não escolhi, mas aos quais me resigno, e este consentimento, assim o espero, sem me trazer felicidade, há-de proporcionar-me serenidade.


(Marguerite Yourcenar, Alexis)



O meu cérebro ressuscitou, finalmente. Depois de vários dias de quase-narcolepsia, regressei às habituais insónias. Daqui a um mês estarei novamente miserável e ninguém vai reparar. As atenções estão direccionadas para a nova criatura da família. Estou, por assim dizer, livre de todas as tentativas de normalização por parte dos meus progenitores. Já posso ser estranha à vontade. Até já me posso sentir infeliz e realmente parecer infeliz. Miserável, digo. No fundo, é para isso que servem as criaturas recém-nascidas. 


Ando aborrecida, tenho sido uma aluna péssima. O mais chato é que posso ser uma aluna excelente. É só uma questão de não me aborrecer. Como quem diz, assobiar menos.

(Ponto)