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quarta-feira, 20 de março de 2013

Passing through





há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


(Al Berto)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Suna no Onna




(Suna no Onna, Hiroshi Teshigahara, 1964)



Opções:
1. Pego no livro de Abe Kōbō ou no filme de Teshigahara e comparo-o com O mito de Sísifio de Camus.
2. Faço um trabalho qualquer sobre uma coisa-qualquer-sem-interesse.
3. Pego na triologia de Teshigahara, nos livros de Abe e em Camus, Kafka, Kierkegaard, Sartre e quem mais for preciso e faço um trabalho espectacular.
4. Acabo com Macau e com todas as coisas que impliquem relações luso-chinesas.
5. Estou ansiosa e com falta de tempo (constatação)
6. Macau aborrece-me profundamente e as relações luso-chinesas também (dupla constatação)

domingo, 7 de novembro de 2010

Existir de olhos fechados



O perigo da máscara é perdê-la e ficar sem rosto. Há pessoas que não existem sem rosto. E os que existem sem pensar, esses, usam uma só.


E eu existo de olhos fechados porque ainda não sei quem sou.