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terça-feira, 23 de agosto de 2011

À beira da água

Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

(Eugénio de Andrade, "À beira da água", in JL, Foz do Douro (27. 8. 2000))

segunda-feira, 25 de abril de 2011



"O Escritor Pedro Oom Morreu de Comoção – O irreverente e talentoso poeta surrealista Pedro Oom, figura muito assídua do café Gelo ao tempo em que ali se reunia o grupo em que pontificavam Mário Cesariny de Vasconcelos, Luís Pacheco e outras personalidades daquela corrente estética, morreu ontem de comoção provocada pela queda do fascismo em Portugal. 
O insólito autor de tão belos poemas fantásticos e escatológicos como os que publicou em «Grifo» e em «Pirâmide» não resistiu à alegria da vitória. (…)" 


(Diário de Lisboa, 28/04/74)

sábado, 12 de março de 2011

I’m pretty tired of both of us


You’d be foolish to fire that gun. With these mirrors, it’s difficult to tell - you are aiming at me, aren’t you? I’m aiming at you, lover. Of course, killing you is killing myself. It’s the same thing. But you know, I’m pretty tired of both of us.


(Rita Hayworth & Everett Sloane in The Lady from Shanghai, (dir. Orson Welles, 1947))